Mostrar mensagens com a etiqueta Gente importante. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gente importante. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Joana ardida

A Joana sempre foi uma rebelde. Dizem que viveu virgem e que usa apenas como peça de roupa uma túnica de linho sobre o seu corpo nu. A pele das coxas com o cavalo em esforço entre as pernas despidas. O rosto em êxtase e a espada na mão. Uma espada grande de ferro e aço com punho pequenino para o seu pulso adolescente. Nascida camponesa, na terra de Arc, sem outra fortuna além de si própria. Teve a força e a genica necessária para reunir os franceses e quase quase vencer a guerra contra os ingleses. Uma daquelas guerras antigas e longas. Uma guerra de cem anos. Quando falava soprava vento e quando levantava a espada sentia—se o furacão do seu querer. Corações e cabeças tombaram de paixão e desejo pela Joana. A Joana quase—menina, virou a Joana quase—mulher. Mulher, jovem, bonita, carismática e inteligente, combinação perfeita para lhe estragar a vida! Meio caminho andado para a fogueira dos donos do mundo. O resto do caminho fez a galope no seu cavalo. Julgaram—na por bruxa. Não se sabe se era, se não era. Dizem que as há. Depressa a condenaram e mais depressa executaram a sentença. O fogo que a matou aqueceu uma multidão de basbaques e satisfaz o perverso desejo de morte de nobres e padres. Acenderam a chama que em Ruão. Ainda lá está o túmulo para confirmar que o que conto não é mentira. Depois, em cima das suas cinzas frias, acumulando opressão com humilhação fizeram da Joana Santa. Santa católica para rezar nas missas e pedir milagres. Não contentes, sempre os mesmos donos do mundo, trataram de amassar as suas cinzas e fazer do que sobrou um Símbolo Nacional e o patriarcado compensou a impotência de séculos com estandartes em seu nome Sempre que arde uma igreja, não resisto a imaginar a Joana, descida do seu cavalo e de túnica arregaçada, a brincar com fósforos para ajustar contas antigas. Que me perdoem os mais católicos.

Juliette do olhar fodido

Não esquecemos nada. Habituamo-nos. É tudo. A Juliette Gréco é uma preciosidade da colheita de 27. O pai era corso e mãe francesa. Uma casta destas teve de ser criada em Bordeus, onde passou os seus primeiros anos de vida, com o resto da família alargada. De natureza tímida e reservada manteve sempre aquele olhar de quem não pode, nem quer, dizer tudo o que sente e sabe. Um olhar fodido que lhe saiu caro. Até aos treze anos as coisas corriam-lhe bem, era feliz e nem sabia. Depois em trinta e nove chegaram os lobos nazis. A mão de Juliete, mulher de cepa retorcida, liderava a célula comunista da Resistência lá da zona. E já sabemos que esse anos do governo de Vichy e saudações de mãozinhas esticadas, não foram anos bons para os resistentes franceses. E anos particularmente maus para os comunistas. Em 1943 a mãe da Juliete é presa pela Gestapo juntamente com as filhas. Vem embaladas num carro celular para conhecerem Paris. Lamentavelmente para elas, os policias nazis, levam-nas directamente para sede da Gestapo e nem cheiram o ar das ruas. São as três submetidas a tortura. Em conjunto e separadas. Repetidamente. Juliette, tem 16 anos e a irmã tem 18. A mais nova das três mulheres, a que viria a ser cantora, fica mais de mês nas caves dos nazis. É usada sobretudo para pressionar a mãe. Quando os policias arianos acharam que não tem mais nada a arrancar às três mulheres, decidem esquecer-se delas nas celas e não lhes dão comida nem agua. Por capricho, por acaso, por sorte ou por fastio dos carcereiros, é libertada. Acontece numa noite igual às outras, quando lhe dizem mais uma vez que a vão fuzilar. A mãe e a irmã permanecem na prisão da Gestapo. Sai assustada e sozinha paras ruas desoladas de uma Paris ocupada, cinzenta, suja e fria. É uma professora reformada compulsivamente pelas suas simpatias de esquerda, que a recolhe e lhe dá um tecto no bairro de Saint-Germain-des-Prés. Tem um palmo de cara, canta bem, leu todos os poetas e não tem jeito para trabalhar: torna-se artista. Guerra acabada e derrotado o nazismo, sem ainda ter feito os vinte anos, estreia-se como actriz numa peça de Roger Vitrac. Conhece o Sartre, que a apresenta ao Camus, e ao Boris Vian. Está lançada. Apesar do sucesso, mantém a natureza tímida e aquele olhar fodido de quem não fala. É cortejada à vez e gosta de ser assim mimada e bem tratada. A intelectualidade da rive gauche canonizou-a no altar dos cafés. A sua postura de diva discreta e o olhar fodido, fez dela a musa eterna dos existencialistas. Diz a Juliette que não esquecemos nada. Que nos habituamos. E é tudo. Eu acredito.

Fotografias da Loura

A loura Norma Jean, nasceu em Los Angeles em 1926. Passou a infância em orfanatos e lares adotivos onde o padrão de abuso e fuga se foi sucedendo dos doze aos quinze anos. Com dezasseis casou—se pela primeira vez e foi trabalhar numa fábrica de material de guerra. O marido gostava mais de copos do que dela e por isso separa—se com dezanove. É então que se envolve com um fotógrafo que a convence a fazer algumas sessões de fotografia. Faz muitas fotografias. Fotos de moda, artísticas, com roupa, sem roupa, em estúdio, ao ar livre, em casa... centenas de fotos. Depois envia para agências e algumas vezes é chamada para fazer mais fotos. Mantém o trabalho para pagar a renda e as sopas de tomate enlatadas que eram a base da sua alimentação. Ainda a trabalhar na fábrica, começa a ir a castings para filmes. Em 47 chegam os primeiros trabalhos para cinema, ainda pequenos papéis. Os papéis vão crescendo à medida que o talento vai sendo reconhecido e os manda—chuva dos estúdios reparam nela. Muda de nome para Marilyn Monroe e continua a crescer. No início dos anos 50 é já uma das mais novas e brilhantes estrelas no universo de Hollywood. Em 1953 o jovem Hugh Marston Hefner cria uma revista com fotografias de mulheres nuas a que chama PlayBoy e prepara o primeiro número para sair em Dezembro. Procura fotógrafos e modelos dispostas a pousar para a sua publicação. É então que lhe aparece um tipo a vender—lhe umas fotografias inéditas da vedeta de Hollywood Marilyn Monroe, tiradas uns cinco anos antes...As fotografias dizem que a modelo se chama Norma Jean... Mas vê—se bem que é ela. O fotógrafo pedia uma fortuna pelas imagens, mas o Hefner, que de parvo não tinha nada, arranjou—se como pode e pagou o dinheiro que lhe pediram até ao último cêntimo garantindo a exclusividade. Claro que não é preciso de dizer que a revista foi um êxito total. O escândalo associado às fotos da Marilyn promoveu ainda mais a PlayBoy. Os patrões dos estúdios para quem a Marilyn trabalhava quiseram processar a revista e sacar ao Hugh Hefner "tudo tudo o que tivesse até ao último tostão". Os advogados esfregavam as mãozinhas sapudas de contar dinheiro. Nos jornais os editores e directores preparavam—se para uma cobertura sangrenta. Mandaram jornalistas e paparazzi, voarem a direito, guiados pelo cheiro do sangue e da carne. Assim que a jovem Marilyn saiu à rua, caíram—lhe em cima com flashs e perguntas venenosas. A moça, superiormente inteligente, naquela voz entre o o ingênua e a cama arrasou: — Processar a Playboy? Porquê? Não acham que fiquei bem nas fotografias? Sou uma trabalhadora, e quando fiz aquele trabalho fui paga para o fazer, e bem paga, adianto que ganhei mais naquela tarde de fotografias do que o que me pagavam por uma semana na fábrica! O escândalo morreu ali.

terça-feira, 30 de abril de 2019

O Xerif

Quando os nazis ocuparam a França, o miudo judeu Lucien Ginzburg, foi obrigado a ir para a escola de estrela amarela ao peito e a familia teve de fugir de Paris, para não ser deportada e assassinada. Conta a irmã gemea do Lucien, que o irmão, um dia apareceu em casa com a estrela amarela obrigatoria na lapela do casaco e por cima, escrito a giz com grandes letraas a palavra: XERIFE! O episodio valeu uma grande tareia do pai e um sermão sobre a gravidade do momento que todos os judeus viviam. Desde sempre iconoclasta, cedo decidiu ser pintor. Adolescente, começou a tocar em bares e cafés para pagar os estudos de pintura, comprar telas, pinceis e tintas... Aos trinta anos era um pintor falhado que cada vez se safava melhor como musico. Nos anos 50, torna-se profissional a tempo inteiro da musica e assume o nome artistico de Serge Gainsburg. É aí que deixa de pintar o belo e dedica-se a procurar o belo onde ele realmente vive: nas curvas dos corpos.

A tampa do Mike

O dia em que o Mike Jagger levou uma tampa da Marianne Faithfull. A foto regista esse momento histórico. Foi num daqueles eventos sociais do Sul de França na segunda metade da decada de 60 do seculo passado. O Mike Jagger na altura, era (e ainda é um bocado) um sex simbol masculino. A Marianne Faithfull era ainda uma desconhecida e apareceu como uma das várias apaixonadas com quem o Mike Jagger constumava sair. Ele, Mike, o convidado, levou-a a ela, Marianne, como acompanhante. Mas acontece que os corações das donzelas são mais imprevisiveis que o vento sudoeste que às vezes traz chuva outras vezes traz charrocos. O Mike que chegou vitorioso com uma loura lindissima exibida debaixo do braço como conquista, minutos depois, era apenas um timido miudo ingles, com a pele demasiado branca que não sabia como comportar-se perante a corte da cote de azur. A loura fugiu-lhe da mão porque tinha vontade própria e com ela levou a sua coroa de estrela. A fotografia está ai a provar o que digo. Até causa um certo dó. A loura inglesa, ao centro, rendida ao charme latino do actor frances, à esquerda. Abençoados pela taça dos girasois, que parece saída do quadro do Van Gogh. No chão, entre as pernas, penas caidas do vestido da diva em botão, a prometerem nudez. À direita o menino triste fuma e baixa os olhos derrotado. Claro que o charme do Alan Delon terá tambem contribuido para o virar da tortilha vermelha que é o coração de cada mulher. De qualquer maneira, a foto ilustra bem, que mesmo aqueles que se acham a ultima bolacha do pacote e simultaneamente o rei da cocada preta, mesmo esses, estão sujeitos à inevitabilidade da perda. Por isso, amigos e conhecidos, quando se acharem invenciveis, aí sim, devem começar a ter cuidado, porque é nesse momento que começa a virar a tombola dos dias e as pedras começam a rolar. Porque as pedras tambem rolam. Assim como os olhos castos das esposas entediadas. E como as cabeças dos reis.

O almirante negro

Brasil 1910. A escravatura tinha sido abolida oficialmente há 22 anos mas a condição das pessoas não se muda por decreto. Apesar da modernidade da lei a sociedade continuava a ser completamente escravatura. Vivências de um Brasil de elites racistas e reaccionárias, uma realidade completamente diferente da actual.... A Marinha de Guerra do Brasil, com todos os pergaminhos e a pompa, foi uma das instituições que mais resistiu ao final do esclavagismo. O uso do açoite como medida disciplinar continuou a ser aplicado aos marinheiros mesmo depois de já entrado o século XX, acontece que a esmagadora maioria dos marinheiros eram negros e do castigo disciplinar previsto em regulamento, fazia-se espectáculo publico abordo dos navios. Tínhamos pois em pleno século XX, oficiais brancos, a mandar chicotear marinheiros negros. A acrescentar à novela da Escreva Isaura é preciso dizer que geralmente este castigo era aplicado por outros marinheiros também eles negros por determinação dos oficiais que eram exclusivamente brancos. O pelourinho continuava a existir nos navios da marinha do Brasil. Quando algum marinheiro era condenado a açoites os outros marujos eram obrigados por regulamento a assistir à punição. Em 1910 é a viagem inaugural do navio novo, o Minas Gerais. O Ministério da Marinha decide que devem ir mostrar o poderio naval do Brasil a Inglaterra. É sabido que quando o brasileiro que se acha elite, só de saber que vai na Europa, cresce mais três centímetros em racismo e arrogância. (Vá agora acusem-me de xenofobia a ver se me ralo!!) Aos oficiais, não cabia uma palha no cu de tão inchados que andavam na sua fardinha branca engomada por mãos negras. Acontece que nessa mesma viagem inaugural, com tanta pompa e circunstancia, os marinheiros não quiseram ficar à porta do progresso e reivindicaram melhores condições de trabalho. Onde já se viu, uma navio todo equipado com o mais moderno em tecnologia da época, com todas as condições e comodidades para o oficalato, e onde os marinheiros, afinal essenciais para o seu funcionamento daquela maquina gigante, continuavam condenados a um porão de galé! Claro que não se pode isolar estas reivindicações do movimento pela melhoria das condições de trabalho levado a cabo pelos marinheiros britânicos entre 1903 e 1906. Isto para não falar na insurreição dos russos embarcados no couraçado Potemkin, em 1905. Calhou em sorte ao um marinheiro, de nome Marcelino ir falar com o comandante daquele unidade flutuante para lhe apresentar as reivindicações dos outros marinheiros. Como resposta, foi feita uma provocação num corredor, e por pretensamente ter participado numa briga, no dia 20 de Novembro de 1910 abordo do Minas Gerais, o Marinheiro Marcelino recebeu 250 chibatadas. Em frente a toda a tripulação, formada propositada e obrigatoriamente no convés. Parece que o homem desmaiou, mas os açoites continuaram. Era um recado para todos os que reivindicavam. Os marinheiros revoltaram-se. A liderar o movimento, emergiu o Marinheiro João Cândido, que organizou os camaradas de armas em comités e se propuseram a fazer uma greve até serem abolidos definitivamente todos os castigos físicos. Os oficias responderam com ameaças e mais repressão. João Cândido tomou o navio. Nos outros navios da esquadra a marujada também aderiu à revota. O cabo Gregório liderava no São Paulo, e no Deodoro havia o cabo André Avelino. A revolta alastrou na classe esclarecida dos marinheiros. Comandado pelo João Cândido, os marinheiros, apoderam-se dos principais navios da marinha de guerra do Brasil Cândido que ficou conhecido como o Almirante Negro, aproximou a sua esquadra de navios de guerra do Rio de Janeiro, entrou na baía de Guanabara com o Minas Gerais e mandou uma mensagem ao presidente da república exigindo a extinção do uso da chibata. A capital de então era no Rio, o governo de brancos borrou-se de medo. Negros e ainda por cima vermelhos com armas na mão...A classe politica nas suas rivalidades das nomeações, uniu-se no cagaço. O governo e a oposição parlamentar tornaram-se momentaneamente solidários. Os jornalistas de serviço, obedientes lançaram uma campanha de terror. Fizeram correr todo o tipo de boatos sobre os revoltosos e o pânico espalhou-se pela população do Rio. Os negros no navio iam matar todos os brancos, violar todas as mulheres e queimar todas as igrejas... Para dar mais colorido aos relatos, os navios amotinados, tinha hasteado bandeiras vermelhas e nos jornais cariocas falava-se na “Comuna do Almirante Negro”. Neste impasse o governo negociou com os marinheiros e proibiu oficialmente o uso da chibata nos navios de guerra. Foi negociada também uma rendição com amnistia para todos os amotinados. Com isto, os marinheiros desceram as bandeiras vermelhas dos mastros dos seus navios. A revolta havia durado cinco dias e terminava. Aparentemente vitoriosa. Desaparecia, assim, o uso da chibata como norma de punição disciplinar na Marinha de Guerra do Brasil. No entanto, a amnistia fora uma farsa para desarmá-los. Assim que os marinheiros depõem as armas são presos imediatamente A guarnição da ilha das Cobras que também se havia se sublevado é atacada. Os poucos sublevados daquela ilha propõem rendição incondicional, o que não é aceite. Segue-se uma verdadeira chacina. A ilha é bombardeada até ser arrasada. Foram centenas os mortos e durante semanas deram à costa das praias corpos de marinheiros em decomposição com marcas de tortura. Estava restaurada a honra da Marinha. O presidente Hermes da Fonseca, aproveitou a ocasião e decretou o estado de sítio, para poder com a policia politica sufocar os movimentos democráticos que se organizavam. João Cândido, o marinheiro eleito almirante, sobreviveu à chacina e foi encerrado numa masmorra da ilha das Cobras. Dos 18 reclusos da sua cela 16 morreram a maior parte, fuzilados sem julgamento. João Cândido enlouqueceu, e acabou por ser internado no Hospital dos Alienados. Tuberculoso e demente, consegue, contudo, restabelecer-se física e psicologicamente. Em 1943, com sessenta e três anos, é-lhe concedida uma amnistia que lhe permite “ir morrer a casa”. Assim que cruza as portas do presídio passa imediatamente à clandestinidade. O Almirante só vem a morrer em 1969, com 89 anos. Os últimos anos da sua vida foi peixeiro no Entreposto de Peixes da cidade do Rio de Janeiro, sem patente e sem reforma. Foi Ogan no Candomblé e até aos últimos dias, não deixou de cantar e tocar para os Orixas. Vivia com a sua família carnal e de santo, perto do mercado. Gostava de se sentar com os amigos para falarem de politica, de mar, de peixe e de admirar os rabos que passam. Gostava tomar cachaça e fazer samba em caixa de fósforos. Fizeram canções em sua homenagem. Gostava de falar com pessoas e de contar historias, sobretudo a historia do medo escarrado na cara dos oficiais.

Camões

Andou anos de caganeira em terras estranhas, com armas na mão a servir a pátria que o pariu. Veterano e mutilado, voltou desfeito para Lisboa. Depois de um cálvario de petições, requerimentos, pedidos, cunhas e empenhos lá lhe arranjaram um obscuro e modesto lugar como funcionário público com um salário miserável que mal dava para pagar a conta dos fiados nas tabernas da Mouraria. Parece que tinha tendencia para os copos, para jogar aos dados e para os outros prazeres da vida. Escrevia cartas, função que cobrava a quem lhe pagasse e poemas de amor que oferecia a quem os inspirasse. Pra ver se se safava, escreveu um calhamaço a falar bem do governo e da familia de quem mandava. Uma coisa maçuda que nem com todo o seu talento se torna ligeira. Um livro sério a apelar a um sentimento patriótico que estava longe de sentir. Um texto para a agradar aos reis e funcionários da corte. Mais papeis e requerimentos e editaram o livro ao homem. Por fim, já moribundo de tuberculose e cirrose, com o figado desfeito, os pulmões disfuncionais e a alma esburacada, lá saiu o livro. Meses depois, meia duzia de moedas para pagar dividas, juros e favores. Apagou-se com cinquenta e seis anos, pelas vesperas dos santos populares. Enterraram-no onde calhou e o senhorio ficou com a pobre mobilia para pagar as rendas em atraso. Quinhentos anos depois, cruzaram-lhe o nome com a pátria. Remexeram, juntaram e roubaram uns ossos de uma vala comum e fizeram um funeral com pompa e circuntancia. Ao certo sabe-se que são as ossadas de meia duzia de desgraçados enterrados na Mouraria. Parece que a unica coisa que é certo que era dele e que levaram para os jeronimos foi a caveira. Ou então levaram a caveira de outro zarolho pobre...hipotese sempre possivel...Seja como for, escreveram na pedra de um tumulo, o nome com que assinava. Hoje, o poder celebra-se a sí próprio em nome dele. O país continua igual com os seus poderosos burocratas, com analfabetas elites alapadas a um poder instituido que tudo faz para se prepetuar à tona da poça de vomito a que chama casa. O país continua com um povo de devotos miseraveis a agonizar em pobreza das dividas do que não tem. Um povo que tem como unico consolo a fanatismo da fé e a embriagues vinho. Agora alem do tinto, branco e verde, tambem há futebol e televisão. Celebrar o quê? Estou convencido que se o Camões fosse vivo mandava-vos a todos enfiar as comemorações do dez de Junho no buraco do olho que não vê.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Pablo e Dora

Um amigo comum apresentou a Dora ao Pablo. O gajo ficou completamente apanhado pelo encanto treslocado dela. Entre a menina-bem parisiense e as atitudes de uma passionaria, era impossivel ficar indiferente à Dora. O Pablo era um quarentão maduro a viver a agonia de um casamento moribundo e o romance com a Dora foi intenso e fulminante. Separou-se da Marie e foi viver com a Dora. Casaram-se um contra o outro e ao contrário do previsto o amor prosseguiu mais que tres dias. Ele pintava quadros e ela tirava fotografias. Em Madrid, o Pablo foi nomeado pelos republicanos director do Prado. Ela foi com ele para uma Espanha a ferro e fogo. Ele pintava os bombardeamentos e os olhos da Dora, a violencia e as mamas da Dora, a opressão e braços da Dora... Ela fotografava-o a ele, os quadros dele e às vezes experimentava a maquina em diferentes cenários no atellier dele. A estas fotografias, à falta de outro nome, chamaram-lhe surrealistas. Depois da guerra em Espanha, da mortandade iberica foi o nazismo e a generalização da nausea da pelo mundo. A grande guerra. Acabada esta segunda, o mundo não voltou a ser o que era. O Pablo repugnado com tanta morte e injustiça militou-se no PCF. A Dora agoniada com o mundo tornou-se pintora. Separaram-se. Ele, agora destacado intlectual comunista, vendia como nunca e enriqueceu um bocadinho mais todos os dias que passaram desde então. Ela levou o surrealismo ao extremo e internaram-na na psiquiatria. Ele morreu em 73 e ela 97. O amor dos dois persiste na assimetria das mulheres pintadas por ele e nas fotografias capturadas por ela. A foto chama-se "Picasso com craneo de cabra" a autora é a Dora Maar

A dor da Sofia

A Sophia Loren tinha triunfado em Canes na primavera de 1955. Todos ficaram completamente rendidos, encantados, apaixonados e babados pela menina pobre italiana com olhos de gata e corpo de deusa. Chega aos states, contratada pela Paramout vai deslumbrada e deslumbrante no seu papel de vedeta na vida real. A Paramout ainda nesse ano de 1956, organiza um jantar para homenagear a sua nova vedeta. No jantar estão todos os manda-chuvas de hollywood. A Sophia está linda, sente-se o centro do universo e tem razões para isso. Está de vestido preto, rodeada de atencões, criados com bandejas, actores sedutores com salamaleques e produtores ricos com mãos atrevidas. Sentou-se para jantar numa cadeira que alguem puxou. É então que chega uma loura a roubar-lhe a atenção dos homens, das mulheres e dos fotografos que a trabalhar não têm sexo. A loura chama-se Jayne Mansfield e no ano anterior tinha sido a capa da playboy. Chegou já tarde, de vestido branco, saltos altos e superpoderes nos dois mamilos que batiam nas pessoas e nas coisas duas decimas de segundo antes dela chegar e lançavam raios de luz branca e gelada que faziam ricochete na mobilia encandeando tudo e todos. A pessoa que organizou o jantar por venenosa ironia sentou a loura ao lado da Loren. Um dos fotografos presentes, num momento de inspiração disparou. E ficou retratado o sentimento da inveja no olhar da morena e o sorriso de triunfo nos labios da loura. Alem da inveja, a foto talvez explique a razão do trauma da Sophia Lauren que a fez passar os vinte anos seguintes a exibir o decote em todos os filmes em que participou

Robinson

O período da caça às bruxas foi um período tramado. Quando a extrema direita americana caiu a matar sobre Hollywood deu uma machadada tremenda sobre o cinema e os filmes não voltaram a ser os mesmos. O tema da "caça às bruxas" apesar do impacto que teve na história do cinema continua a ser tabu na América e são raras as fitas sobre o assunto. Aqui há uns três ou quatro anos saiu um filme sobre o escritor e argumentista Dalton Trumbo. O Trumbo era um gajo com eles no sítio e foi preso em 48 porque se recusou a colaborar com o fascismo do FBI e ser um instrumento da perseguição aos comunistas. Foi levado a tribunal inquisitorial chamado Comité de Actividades Anti-Americanas. Trumbo e outros nove democratas foram presos porque se recusaram a responder se eram comunistas ou tinham ligações ao Partido Comunista. Foram o grupo dos Dez de Hollywood: Alvah Bessie, Herbert Biberman, Lester Cole, Edward Dmytryk, Ring Lardner Jr., John Howard Lawson, Albert Maltz, Samuel Ornitz, e Adrian Scott. Entre estes dez, ia um chibo, ou dito de uma forma politicamente correcta, ia um senhor que decidiu mudar de ideias. Dmytryk denunciou vários membros do partido comunista e a sua delação comprou a libertação antecipada. Os outros nove cumpriram a pena na totalidade. Estes são os factos. No filme que hollywood pariu sobre o Trumbo, o chibo passou a ser o Edward G. Robinson. Ora não só é mentira como é também uma forma de fazer um ajuste com a história. O Eduard G Robinson não era comunista, até parece que era membro do Partido Democrata, mas ao longo data sua vida e particularmente durante os duros anos da caça às bruxas, esteve lado a lado com os comunistas. Sempre: politicamente em organizações unitárias e pessoalmente solidário com amigos que foram perseguidos. Fazer do Robinson um delator é não só escarrar no prato da sopa da memória mas é também sujar de gosma o pano da história de um homem bom e sobretudo um grande actor. Foi o Robinson que inventou o gangster de hollywood e que serviu de inspiração a Humphrey Bouvard, James Cagney, ao Brando e até ao De Niro. O Robinson chegou à america como uma imigrante pobre, cresceu pobre e ganhou dinheiro como actor mas não esqueceu nunca os seus amigos dos bairros por onde viveu. O seu talento fica escarrapachado nas emoções das personagem que o Robinson criava, que mesmo sendo criminosos não deixavam de ser humanos. Os gangsters do Robinson, mostraram na sua complexidade o lado humano do bandido. Em tempos de tão duros julgamentos morais em que vivemos, que atrás de cada avatar do Facebook se esconde um Torquemada em botão, rever o Edgar G Robinson devia ser obrigatório. Haver um argumentista que estando o homem morto há tanto tempo agora lhe vem chamar delator, é coisa triste. Merecia a tromba amolgada por um dos personagens do mestre

A voragem

“A viagem torna-nos menos estúpidos”, disse o Rimbaud. Disse-o depois de ter passado a sua vida adulta, a deambular pelo mundo. Vá, por meio mundo. Para ser mais preciso, a frase é duma das últimas cartas que escreveu à irmã. Desde que nasceu até aos quinze anos, o Jean Arthur foi uma criança tímida. Depois, dos dezasseis aos dezanove foi poeta. Eventualmente o maior poeta que a humanidade pariu. Rimbaud escreveu poucos poemas. Mas os mais belos, profundos e subversivos poemas jamais escritos. Com a sua curta poesia, modificou profundamente a literatura ocidental. Na poesia há um antes de Rimbaud e um pós Rimbaud. Porque o gajo era mesmo bom... Mas ainda antes de fazer vinte anos deixou de escrever. Disse aos amigos que tinha ganho juízo. Decidiu deixar de ser poeta e enriquecer. Tornar-se homem de negócios, se fosse hoje chamavam empreendedor. De paris viajou para o Sul. Em Marselha apanhou um barco para Trípoli na Líbia. Depois foi para a Etiópia, perseguindo o seu sonho de se tornar um homem rico. Nos dezassete anos seguintes, não parou de vaguear. Foi mineiro, traficante de armas, soldado, condutor de carroças, professor e taberneiro. Comprou e vendeu mercadorias, atravessou montanhas, desertos e pântanos. Dormiu em todas as camas e na beira de todas as estradas. Apanhou todas as doenças e sobreviveu às feras bichos e às feras humanas que sabemos bem que são muito mais perigosas. Mas ninguém passa pela vida impune. Em 1891, o Rimbaud estava um farrapo. Evitando o vernáculo, mas falando objectivamente, o Jean Arthur, aos trinta e sete anos, estava em termos de saúde física e mental, completa, absoluta e irreversívelmente fornicado. Vomitava quase tudo o que comia. Como as águas eram impróprias bebia os vinhos e as bebidas fermentadas que arranjava. Porque era nervoso encharcava a cabeça em ópio. Estava em permanente cólica e brutal caganeira. O primeiro médico francês que o viu, escreveu no relatório, que o doente sofria de graves problemas nos intestinos causados pela alimentação deficitária. É assim que os médicos dizem as coisas... O hábito de carregar permanentemente consigo, vinte e quatro horas por dia, todos os dias um cinturão com três quilos de ouro, que de resto era toda a sua fortuna, a apertar o ventre inchado também não o ajudou. Estava no Sudão, quando deixou de conseguir andar. A ferida aberta na perna não sarava. As dores eram muitas e nem permanentemente pedrado conseguia aguentar. Finalmente percebeu que a coisa era grave. Fez-se transportar de maca, mais de três mil quilómetros para Norte. Até mediterrâneo no Egito. No Egito, devido à gravidade do seu estado e totalmente contra a sua vontade, os médicos sugerem a viagem para França. Em 20 de Maio de 1891 dá entrada no Hôpital de la Conception, em Marselha. A 25 de Maio é-lhe amputada a perna direita. Menos de um mês depois, 23 de Julho, apoiado em duas muletas, Rimbaud deixa o Hospital e apanha, sózinho, o combóio para La Roche. Quer voltar para África o mais depressa possível. Fica à espera de navio, mas três semanas depois, vai abaixo novamente. É obrigado a voltar para Marselha. A 10 de Novembro de 1891, às dez horas da manhã, Jean Arthur Rimbaud morre em Marselha, depois de várias semanas em semi-coma. A 9 de Novembro de 1891, na véspera da sua morte, Rimbaud escreveu a sua última carta As derradeiras palavras desse gênio da poesia foram dirigidas ao Director dos Transportes Marítimos de Marselha. Queria voltar imediatamente. "Dizei-me pois, a que horas devo ser transportado para bordo." Minutos depois voltou a entrar em coma e no dia seguinte estava morto. É tudo. Podem voltar para as vossas vidas.

A primeira noite

Conheceram—se nas filmagens de um filme medíocre mas bem financiado. Ele era uma vedeta de quarenta anos, ela uma jovem atriz revelação de vinte e três doces primaveras. A ela avisaram: cuidado com ele. E ela ainda sem o conhecer, começou logo a ter interesse nele. A ele disseram: vais gostar, faz o teu tipo. Ele, provocador respondeu: depois da Brigite qualquer uma faz o meu tipo. A primeira semana de filmagens foi de trabalho intenso. Muitas cenas de exteriores que era preciso filmar às primeiras horas da manhã. À tarde eram as secas com o realizador a querer ensaiar para o dia seguinte. E à noite os produtores e agentes, chamavam a corja dos jornalistas e fotógrafos para promoverem a fita. Foi numa dessas noites, numa badalada casa da moda em que se bebia e dançava que ele lhe meteu a língua na boca e lhe abraçou a cintura. Ela queixou—se que os sapatos lhe magoavam os pés, ele descalçou—a e atirou para longe as sandálias de salto alto. Passariam juntos doze anos. Os fotógrafos presentes registaram os primeiros beijos. O saliva na língua dele aromatizada de Bourbon e galoise a fundir—se na saliva da garganta dela refrescada por champanhe e com travo a erva. — Vamos sair daqui, tou farto destes merdas! Ela concordou. — Onde moras? — Estou a morar com uma amiga na zona da gare du lest. —Telefonas do meu hotel a dizer que não vais ficar lá hoje... Saíram de fininho sem se despedir. Na rua mais beijos de língua e mãos debaixo do vestido. O Renault dele seguiu por uma Paris quase adormecida desafiando a polícia nos controlos de velocidade e em todos os semáforos vermelhos. No hotel caro, a recepcionista cúmplice perguntou—lhe se queria que servissem uma ceia. Não era preciso. Entraram de mãos dadas no elevador. O amor quase que acontecia ali em plena ascensão, não fosse o plim da chegando ao piso. No quarto ele foi à casa de banho, faz xixi, lavou a cara, penteou—se com a mão e bochechou com pasta dos dentes. Quando voltou ela ainda estava ao telefone com a amiga. Sorriu—lhe, despachou a amiga, desligou e entrou na casa de banho. Ele despiu—se, sorriu, apagou o candeeiro de cima e deitou—se à espera.Tinha s
ido um dia longo, mas estava a correr bem. Ela entrou na casa de banho, fechou a porta, sentou—se no trono de loiça e fez xixi. Abriu o chuveiro, despiu—se, cheirou—se e entrou no duche. Deixou que a água quente nas costas trabalhasse como relaxante muscular. Depois, conscienciosamente, lavou—se. Toda, por inteiro, dando especial atenção às partes que considerava mais necessitadas. Quando saiu do banho, envolveu—se numa toalha de turco com a área de um campo de futebol e ficou em frente ao espelho. Secou o cabelo fazendo um penteado assim meio despenteado. Gostou de se ver. Serviu—se então da água de Colônia, três borrifos: no pescoço, entre os seios, e sobre a púbis que à época se usava peluda. Deixou a toalha no chão da casa de banho e nua e entrou no quarto. ... O inevitável aconteceu: ele tinha adormecido.

Messing

Um dos mais enigmáticos personagens do século XX. Judeu polaco. Nascido no ultimo ano do século XIX. Aprendeu a ler na sinagoga e em criança estava destinado a ser rabino mas a sua natureza inquieta e a história trocaram-lhe as voltas. Médium, vidente, adivinho e comunista. Foi amigo de Estaline e seu confidente desde que fugiu à Gestapo em 1939 até à morte do homem dos bigodes. Em Viena, nos anos 20 conheceu Einstein na casa do Freud de quem era amigo e visita frequente.Terá conhecido Gandhi numa viagem a Inglaterra. Conta-se que Messing saiu de casa ainda em garoto, por volta de 1910 e apanhou o comboio de Varsóvia para Berlim. Teria uns 11 anos e não tinha bilhete, nem dinheiro. Quando o revisor chegou, o miúdo Wolf pegou um papel de jornal rasgado que estava no chão, entregou ao revisor e disse: – Está aqui o bilhete. Ao fazê-lo projectou de tal modo a ideia do bilhete verdadeiro, Varsóvia - Viena, que o que o revisor, viu, foi precisamente o bilhete de comboio e não um papel rasgado. Entre os doze e até quase aos quarenta, fez vida de saltimbanco, apresentado-se em espectáculos de hipnotismo, telepatia e vidência. Quando não ganhava o suficiente para comer, ia aos mercados e com o olhar condicionava os vendedores a entregarem-lhe os seus bens. Pelo início dos anos trinta vivia quase permanentemente em Berlim. Quando o Nazismo chegou ao poder na Alemanha, Messing voltou para a Polónia. Num dos seus espectáculos que juntavam faquirismo, mediunidade e hipnose, profetizou que a Alemanha iria perder a guerra se tentasse invadir a Rússia. Os olhos, ouvidos e afiados focinhos nazis ja andavam por ali e ainda em Varsóvia, foi preso por agentes alemães que o entregaram à Gestapo. Eventualmente para ser interrogado ou encaminhado para algum campo de extermínio, qualquer uma das hipóteses, claramente desagradável. Não sabemos como mas sabemos o Wolf, olhou fixamente hipnotizando os seus carcereiros, e minutos depois, eram os nazis que estavam presos e era o próprio Messing quem fechava a porta das celas e saia pela porta da rua. Como na Europa Central, o ambiente não estava para graças, Messing fugiu para a União Soviética. Primeiro viveu na Bielorrussa, onde se tornou amigo e impressionou as autoridades locais. Mais tarde foi recebido no Kremlin por Estaline, que não sendo religioso, tinha uma grande curiosidade pelo paranormal. Diz-se que Messing ajudou Estaline a vencer a guerra ao nazi-fascismo. Facto é, que no Kremlin Messing e Estaline, entretinham-se com experiências psíquicas. Telepatia e clarividência principalmente. Certa dia, aceitando o desafio do Estaline, Messing sem nenhuma credencial nem qualquer tipo de documentos, foi ao banco de Moscovo, olhou fixamente os olhos do caixa, do gerente e depois do director do banco e trouxe cinco malas cheias de dinheiro que os próprios empregados do banco carregaram pelas ruas de Moscovo completamente hipnotizados. No dia seguinte foi devolver o dinheiro ao banco... Noutras ocasiões, sobretudo quando interessava ao Estaline sair sem que se soubesse, confundiam propositadamente a segurança: Messing, a pedido do Estaline fazia—se passar por ele próprio: sem disfarces, nem fardas, nem bigodes falsos, apenas ele Wolf, olhando para os guardas do Kremlin e condicionando por hipnotismo que era o Estaline quem viam. Os seguranças ficavam confundidos de verem o protegido passar duas vezes e Estaline ria as suas gargalhadas de camponês georgiano das façanhas conseguidas pelo seu amigo médium... Gostavam ambos de comer, beber e ficavam muitas vezes até de manhã a falarem sobre espíritos, assombrações e folclore. Foi Messing quem profetizou a Estaline que a guerra terminaria entre 3 e 5 de maio de 1945 Sem educação formal, era um homem de grande cultura geral que falava e escrevia fluentemente em polaco, russo, hebraico e alemão. Registava diariamente as suas experiências nos seus cadernos. Morreu em 1975 e está enterrado em Moscovo. A KGB, no dia da sua morte, confiscou os seus diários e cadernos. Os seus textos nunca foram publicados mas a sua memória continua a povoar o Kremilin e dizem que às vezes, nas noites sem lua se podem ouvir os seus passos nos corredores.